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Direito Criminal

Como consultar um mandado de prisão?

6 min de leitura

Se você precisa verificar se existe um mandado de prisão em seu nome, a primeira etapa é consultar o sistema oficial do Conselho Nacional de Justiça - o BNMP. A pesquisa pode ser feita com os seus dados, mas um resultado vazio não exclui necessariamente a existência de mandado, especialmente quando o processo tramita em sigilo.

Saber como consultar mandado de prisão em aberto é essencial para quem precisa verificar sua situação jurídica.

📌 Resumo Rápido: Para consultar se existe um mandado de prisão em seu nome, acesse o sistema oficial BNMP (CNJ) informando seu CPF ou Nome Completo, conforme explicaremos na sequência. Atenção: Mandados em segredo de justiça não aparecem no BNMP.

Quatro policiais cumprindo mandado de prisão.

1. Passo a Passo de Como Consultar Mandado de Prisão no BNMP

Entender como consultar mandado de prisão pelo sistema do CNJ evita surpresas em abordagens policiais.

A consulta pode ser feita no site do BNMP (Banco Nacional de Monitoramento de Prisões, que pode ser acessado por meio do link: https://portalbnmp.cnj.jus.br/#/pesquisa-peca

A pesquisa pode ser feita por meio do nome completo, CPF e até mesmo pelo número do documento (RG):

Tela de pesquisa principal do BNMP, no qual é possível indicar informações do foragido e consultar mandado de prisao.

Ao preencher as informações e clicar em "pesquisar", serão informados todos os mandados que constem no nome daquela pessoa.

Mas um alerta:

Processos que correm em segredo de justiça não aparecem no BNMP. Se a pesquisa não retornar nada, isso não garante que não existe um mandado ativo — apenas que, se existir, ele está sob sigilo.

Se um mandado for localizado, é possível verificar o órgão que expediu o documento (normalmente a vara judicial) e também a data da emissão:

Campo do site BNMP em que é possível verificar a existência de mandados de prisão.

No campo ações, do lado direito da tela, será possível emitir o documento referente ao mandado, no qual constam os dados do indivíduo, os crimes imputados, o prazo de validade do mandado e, ainda, um trecho da decisão do juiz:

Mandado de prisão de caso real, com informações redatadas.

2. Por que um mandado de prisão é expedido?

Para saber qual será a estratégia a ser adotada no caso, é preciso entender a fase em que o processo está e o motivo pelo qual o mandado foi expedido.

Os principais motivos são os seguintes:


2.1. Mandado de prisão preventiva ou temporária (processo ou investigação em andamento)

Nesse caso, o juiz entendeu que a liberdade do indivíduo durante a investigação ou durante o processo representa um risco.

O juiz expede o mandado (a pedido do delegado ou do promotor de justiça) por entender que a liberdade do indivíduo representa um risco concreto à ordem pública (pela gravidade do crime cometido), à conveniência da instrução criminal (evitar destruição de provas ou ameaça a testemunhas) ou para assegurar a aplicação da lei penal (evitar fuga).

No caso da prisão temporária, a prisão é decretada durante as investigações (ainda não há um processo), para garantir que não haja interferência na coleta dos elementos de prova.

Como o processo ou investigação ainda estão em andamento e não há uma condenação definitiva, a situação permite diversas medidas jurídicas.

O que pode ser feito:

  • É possível pedir a revogação da prisão diretamente ao juiz, demonstrando que a prisão não é necessária ou que os requisitos não estão mais presentes. Além disso, é possível manejar um Habeas Corpus (HC), no Tribunal de Justiça, para questionar a legalidade da ordem de prisão.

  • Como ainda não há uma condenação, a defesa poderá também se habilitar no processo e participar de todos os atos: apresentar a defesa (resposta à acusação), arrolar (indicar) testemunhas, produzir provas, participar da audiência de instrução e julgamento e tudo mais que for necessário à garantia dos direitos do réu.

Leia também nosso guia sobre a prisão preventiva e as defesas possíveis nesses casos.


2.2. Mandado após uma condenação (sentença sem direito de recorrer em liberdade)

Nesse caso, o réu foi condenado e o juiz não permitiu que aguardasse o julgamento dos recursos em liberdade

Também é possível que a decisão tenha sido confirmada em segunda instância e o Tribunal determine o início do cumprimento da pena.

Há uma sentença, mas o processo pode ainda não ter transitado em julgado.

O que pode ser feito:

  • Se ainda houver prazo para recursos, é possível avaliar o cabimento de apelação, embargos infringentes, recurso especial (STJ) ou extraordinário (STF), entre outros.

  • A defesa técnica analisa se há fundamento jurídico para a interposição e se é possível requerer efeito suspensivo para a manutenção da liberdade durante o recurso.


2.3 Mandado na execução penal (descumprimento de regras fixadas pelo juízo)

Aqui, a condenação já transitou em julgado (não cabem mais recursos) e a pessoa está em regime aberto, semiaberto ou em livramento condicional.

O mandado é expedido em razão do descumprimento de uma condição: não comparecer à audiência admonitória, descumprir regras do regime, não se apresentar para trabalho externo, cometer nova infração etc.

É a situação mais delicada, porque a condenação já é definitiva.

O que pode ser feito:

  • A depender do caso, é possível apresentar justificativa para o descumprimento (doença, caso fortuito, situação de vulnerabilidade) e tentar manter ou recuperar o benefício.

  • Em hipóteses bem específicas, é possível ajuizar uma (ação de) revisão criminal ou um habeas corpus substitutivo de revisão criminal. São casos em que se descobrem provas que comprovam a inocência do condenado ou a falsidade de provas apresentadas, além de decisões judiciais que tenham contrariado as provas juntadas. Na revisão criminal, o processo é reanalisado integralmente pelos desembargadores, na segunda instância, oportunidade em que o réu pode ter sua pena reduzida, o regime de pena alterado ou até mesmo ser absolvido.

Como consultar mandados de prisão em Minas Gerais?

Além do Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP), em Minas Gerais é possível consultar a situação processual no TJMG através do portal do PJe ou EPROC.

É importante destacar que muitos mandados de prisão preventiva expedidos por juízes de Belo Horizonte e RMBH podem não aparecer imediatamente no sistema do BNMP, sendo necessária a consulta direta através de um advogado com habilitação nos autos para verificar eventuais decisões proferidas pelo juiz.


3. Conclusão

Encontrar um mandado de prisão no seu nome não significa que não há nada a fazer. Como vimos, o caminho jurídico depende do momento processual: se a prisão é cautelar, se já houve condenação ou se o mandado surgiu durante a execução da pena. Em cada uma dessas situações, existem instrumentos legais que podem ser utilizados — mas o tempo é um fator decisivo.

Se você identificou um mandado pelo BNMP ou tem razões para acreditar que existe um no seu nome, o mais importante agora é entender exatamente em que fase o processo se encontra e quais são as suas opções. Essa análise precisa ser feita por um advogado criminalista, com acesso aos autos e ao histórico do caso.

Quanto antes a situação for avaliada, maiores as possibilidades de atuação.

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