O erro número 1: tentar “resolver na conversa” na delegacia
Se você está se perguntando 'meu filho foi preso, o que fazer agora', este artigo traz os passos essenciais.
O primeiro impulso de muitos pais é ir até a delegacia e tentar explicar a situação.
É comum ouvir frases como:
“Meu filho é trabalhador”
“Ele se envolveu com pessoas erradas”
“Isso foi um mal-entendido”
Embora a intenção seja ajudar, isso pode ser extremamente perigoso.
Tudo o que é dito na delegacia vai ser registrado e e pode ser usado contra a pessoa investigada, seja na fase do inquérito policial, seja no processo criminal.
E muitas vezes, tentando ajudar, a própria família acaba entregando informações que a polícia sequer possuía.
Por exemplo:
Ah, ele realmente não estava em casa naquele dia…
Percebe o problema?
Sem querer, a família pode acabar confirmando uma versão dos fatos ou criando novos elementos contra o próprio filho.
Primeiro passo: mantenha a calma e não dê declarações
A primeira atitude deve ser simples:
Respirar e manter a calma.
Evite ir à delegacia tentando explicar toda a história ou defender o caso por conta própria.
Além disso, é importante orientar a família a não expor o caso publicamente.
Evite:
dar entrevistas
gravar vídeos
comentar o caso com familiares (inclusive por meio do WhatsApp/redes sociais)
Nesses momentos, o melhor a se fazer é ficar em silêncio e reunir o máximo de informação possível.
Segundo passo: descubra exatamente porque seu filho foi preso
Antes de qualquer decisão, é essencial entender o que realmente aconteceu.

Existem três detalhes fundamentais:
1. Onde ele está
É importante saber se a pessoa está em:
delegacia
central de flagrantes
presídio
unidade prisional provisória
Essa informação define quem está responsável pela custódia da pessoa presa.
2. Por qual crime ele está sendo acusado?
Saber qual crime está sendo imputado é extremamente importante, pois isso pode influenciar diretamente na possibilidade de o delegado arbitrar fiança (crimes com pena máxima inferior a 4 anos), bem como nas chances de concessão da liberdade provisória durante a audiência de custódia.
Cada crime possui regras diferentes para prisão e maior ou menor possibilidade de liberdade provisória.
Leia também nosso guia sobre o que é e como funciona a audiência de custódia.
3. Qual foi o tipo de prisão?
Também é importante entender o porquê da prisão.
Ela pode ser:
prisão em flagrante - quando a pessoa estava cometendo o crime ou havia acabado de cometê-lo;
prisão temporária: prisão decretada pelo juiz na fase do inquérito policial para garantir as investigações em crimes de maior gravidade (tráfico, roubo, homicídio, entre outros);
prisão preventiva: também decretada pelo juiz, na fase do inquérito ou do processo criminal, quando o investigado/acusado é um risco para o processo ou para a sociedade (ex.: ameaça a testemunhas, risco de fuga ou de destruição de provas);
prisão em razão de uma condenação: caso o indivíduo seja condenado e não caiba mais recursos, o juiz expedirá um mandado de prisão para que a pessoa passe a cumprir a pena. Também pode ocorrer nos casos em que é negado ao réu o direito de recorrer em liberdade.
Essa diferença é essencial porque influenciam nas estratégias de defesa.
Por que essas informações são tão importantes?
Com essas informações, um advogado pode agir rapidamente para:
analisar a legalidade da prisão em flagrante
verificar se houve irregularidades na abordagem policial
preparar um pedido de liberdade provisória
acompanhar a audiência de custódia
Em muitos casos, as primeiras 24 horas são decisivas para o andamento do processo.
Outro erro comum: assinar documentos sem entender
Outro problema muito comum ocorre quando a família chega à delegacia emocionalmente abalada.
Nesse momento, é comum que documentos sejam apresentados para assinatura.
Mas é importante lembrar que você tem direito de:
ler tudo com calma
tirar dúvidas
não assinar nada sem orientação jurídica
Sem perceber, uma assinatura pode:
confirmar uma versão apresentada pela polícia
admitir algo que não foi dito daquela forma
prejudicar de forma irreversível a estratégia de defesa no processo criminal
Sentimento de culpa dos pais: uma reação comum
Uma reação muito comum entre pais e mães é o sentimento de culpa.
É natural que surjam perguntas como:
“Será que eu falhei como pai?”
“Onde foi que eu errei?”
No entanto, este é o momento de direcionar as energias em prol da pessoa presa.
Uma atitude útil é começar a reunir documentos que mostrem a boa conduta da pessoa presa.
Exemplos comuns:
carteira de trabalho assinada OU declaração do empregador
comprovante de residência fixa OU contrato de locação
comprovante de matrícula em instituições de ensino
certidão de nascimento ou documento de identidade de filhos e dependentes
Essas informações podem ser relevantes para um pedido de liberdade provisória ou outras medidas defensivas.
Cada caso é diferente
É importante entender que cada situação possui características próprias.
Detalhes do caso podem alterar completamente a estratégia da defesa.
Às vezes, uma única declaração feita na delegacia pode ter impactos importantes no processo criminal.
Por isso, agir com calma e com orientação jurídica adequada é fundamental.
Conclusão
Descobrir que um filho foi preso é uma situação extremamente difícil para qualquer família.
Mas agir por impulso pode acabar piorando o problema.
De forma geral, os primeiros passos são:
manter a calma
evitar dar declarações na delegacia
descobrir exatamente o que aconteceu
não assinar documentos sem orientação
procurar um advogado de confiança
Com informação e orientação adequada, é possível evitar erros que podem prejudicar a defesa e garantir que os direitos da pessoa presa sejam respeitados.