← Artigos
Direito Criminal

Meu filho foi preso: e agora?

5 min de leitura

O erro número 1: tentar “resolver na conversa” na delegacia

Se você está se perguntando 'meu filho foi preso, o que fazer agora', este artigo traz os passos essenciais.

O primeiro impulso de muitos pais é ir até a delegacia e tentar explicar a situação.

É comum ouvir frases como:

  • “Meu filho é trabalhador”

  • “Ele se envolveu com pessoas erradas”

  • “Isso foi um mal-entendido”

Embora a intenção seja ajudar, isso pode ser extremamente perigoso.

Tudo o que é dito na delegacia vai ser registrado e e pode ser usado contra a pessoa investigada, seja na fase do inquérito policial, seja no processo criminal.

E muitas vezes, tentando ajudar, a própria família acaba entregando informações que a polícia sequer possuía.

Por exemplo:

Ah, ele realmente não estava em casa naquele dia…

Percebe o problema?

Sem querer, a família pode acabar confirmando uma versão dos fatos ou criando novos elementos contra o próprio filho.

Primeiro passo: mantenha a calma e não dê declarações

A primeira atitude deve ser simples:

Respirar e manter a calma.

Evite ir à delegacia tentando explicar toda a história ou defender o caso por conta própria.

Além disso, é importante orientar a família a não expor o caso publicamente.

Evite:

  • dar entrevistas

  • gravar vídeos

  • comentar o caso com familiares (inclusive por meio do WhatsApp/redes sociais)

Nesses momentos, o melhor a se fazer é ficar em silêncio e reunir o máximo de informação possível.

Segundo passo: descubra exatamente porque seu filho foi preso

Antes de qualquer decisão, é essencial entender o que realmente aconteceu.

A imagem com mãos  algemadas mostra que um filho foi preso.

Existem três detalhes fundamentais:

1. Onde ele está

É importante saber se a pessoa está em:

  • delegacia

  • central de flagrantes

  • presídio

  • unidade prisional provisória

Essa informação define quem está responsável pela custódia da pessoa presa.

2. Por qual crime ele está sendo acusado?

Saber qual crime está sendo imputado é extremamente importante, pois isso pode influenciar diretamente na possibilidade de o delegado arbitrar fiança (crimes com pena máxima inferior a 4 anos), bem como nas chances de concessão da liberdade provisória durante a audiência de custódia.

Cada crime possui regras diferentes para prisão e maior ou menor possibilidade de liberdade provisória.

Leia também nosso guia sobre o que é e como funciona a audiência de custódia.

3. Qual foi o tipo de prisão?

Também é importante entender o porquê da prisão.

Ela pode ser:

  • prisão em flagrante - quando a pessoa estava cometendo o crime ou havia acabado de cometê-lo;

  • prisão temporária: prisão decretada pelo juiz na fase do inquérito policial para garantir as investigações em crimes de maior gravidade (tráfico, roubo, homicídio, entre outros);

  • prisão preventiva: também decretada pelo juiz, na fase do inquérito ou do processo criminal, quando o investigado/acusado é um risco para o processo ou para a sociedade (ex.: ameaça a testemunhas, risco de fuga ou de destruição de provas);

  • prisão em razão de uma condenação: caso o indivíduo seja condenado e não caiba mais recursos, o juiz expedirá um mandado de prisão para que a pessoa passe a cumprir a pena. Também pode ocorrer nos casos em que é negado ao réu o direito de recorrer em liberdade.

Essa diferença é essencial porque influenciam nas estratégias de defesa.

Por que essas informações são tão importantes?

Com essas informações, um advogado pode agir rapidamente para:

  • analisar a legalidade da prisão em flagrante

  • verificar se houve irregularidades na abordagem policial

  • preparar um pedido de liberdade provisória

  • acompanhar a audiência de custódia

Em muitos casos, as primeiras 24 horas são decisivas para o andamento do processo.

Outro erro comum: assinar documentos sem entender

Outro problema muito comum ocorre quando a família chega à delegacia emocionalmente abalada.

Nesse momento, é comum que documentos sejam apresentados para assinatura.

Mas é importante lembrar que você tem direito de:

  • ler tudo com calma

  • tirar dúvidas

  • não assinar nada sem orientação jurídica

Sem perceber, uma assinatura pode:

  • confirmar uma versão apresentada pela polícia

  • admitir algo que não foi dito daquela forma

  • prejudicar de forma irreversível a estratégia de defesa no processo criminal

Sentimento de culpa dos pais: uma reação comum

Uma reação muito comum entre pais e mães é o sentimento de culpa.

É natural que surjam perguntas como:

  • “Será que eu falhei como pai?”

  • “Onde foi que eu errei?”

No entanto, este é o momento de direcionar as energias em prol da pessoa presa.

Uma atitude útil é começar a reunir documentos que mostrem a boa conduta da pessoa presa.

Exemplos comuns:

  • carteira de trabalho assinada OU declaração do empregador

  • comprovante de residência fixa OU contrato de locação

  • comprovante de matrícula em instituições de ensino

  • certidão de nascimento ou documento de identidade de filhos e dependentes

Essas informações podem ser relevantes para um pedido de liberdade provisória ou outras medidas defensivas.

Cada caso é diferente

É importante entender que cada situação possui características próprias.

Detalhes do caso podem alterar completamente a estratégia da defesa.

Às vezes, uma única declaração feita na delegacia pode ter impactos importantes no processo criminal.

Por isso, agir com calma e com orientação jurídica adequada é fundamental.

Conclusão

Descobrir que um filho foi preso é uma situação extremamente difícil para qualquer família.

Mas agir por impulso pode acabar piorando o problema.

De forma geral, os primeiros passos são:

  1. manter a calma

  2. evitar dar declarações na delegacia

  3. descobrir exatamente o que aconteceu

  4. não assinar documentos sem orientação

  5. procurar um advogado de confiança

Com informação e orientação adequada, é possível evitar erros que podem prejudicar a defesa e garantir que os direitos da pessoa presa sejam respeitados.

Precisa de orientação sobre o seu caso?

Solicite contato com o escritório.

Entrar em contato