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Direito Criminal

Fui acusado de um crime que não cometi: o que fazer agora?

8 min de leitura

Uma intimação chega. Alguém diz que seu nome apareceu numa denúncia. De repente, sua cabeça corre para o pior cenário: processo, prisão, perder o emprego, julgamento da família.

Antes de tentar explicar tudo, busque responder à única pergunta que realmente importa: o que existe, de fato, contra você?

Ser acusado de um crime não significa que você já é culpado, mas apenas que há uma história sendo contada sobre você. Essa história pode ser discutida e sua inocência comprovada.

Se você está passando por essa situação e precisa de um advogado criminalista, pode falar comigo diretamente pelo WhatsApp clicando aqui.

Fui acusado de um crime que não cometi: por onde começar?

Pessoa algemada afirmando que "fui acusado de um crime que não cometi"

A acusação pode ter começado com um boletim de ocorrência, o relato de uma pessoa, uma prisão em flagrante ou até mesmo uma denúncia anônima.

O que é de fato importante é buscar saber o que aconteceu depois: a polícia ouviu outras pessoas envolvidas? Buscou imagens? Encontrou algo que confirme aquela versão?

Sabemos que nem toda denúncia é verdadeira. Pelo contrário: há diversos casos de denúncias falsas feitas somente para prejudicar aquela pessoa. Em outros casos, o investigado pode estar envolvido simplesmente porque estava no lugar errado e na hora errada.

Qualquer que seja o caso, reúna tudo que tiver ao seu dispor que possa demonstrar a sua inocência. Mantenha salvos prints de WhatsApp, áudios, ligações, GPS do veículo, nomes de testemunhas etc.

Como organizar provas e testemunhas

Alguns passos simples podem ajudar a sua defesa a elaborar uma estratégia que pode trazer um resultado mais favorável ao processo:

  1. Separe mensagens, documentos, fotos, comprovantes e imagens de câmeras. Não apague conversas, não edite prints e não altere documentos (o que parece desfavorável também pode ajudar a explicar o contexto).

  2. Identifique testemunhas que presenciaram os fatos. Diferencie quem viu o que aconteceu de quem apenas ouviu a história depois. Contradições entre relatos podem ser relevantes e podem levantar dúvidas sobre a versão da acusação.

  3. Tente sempre registrar a existência de conflitos anteriores, como um divórcio ou disputa de guarda. Uma briga não prova que a acusação seja falsa, mas ajuda a demonstrar que, em alguns casos, a denúncia pode ter segundas intenções.

Recebi uma intimação. Devo ir à delegacia explicar tudo?

A reação parece óbvia: “Não fiz nada, então vou lá e resolvo tudo”.

O problema é que sua declaração vai ser analisada em conjunto com as provas obtidas pela polícia. Um erro pequeno, como uma data errada ou um detalhe secundário, podem ser vistos como uma contradição.

Mesmo que você tenha 100% de certeza da sua inocência, sempre há o risco de que você acabe falando demais ou tentando criar uma versão que favoreça o seu lado da história. No entanto, na prática, a polícia muitas vezes já tem as respostas que procura e você pode acabar dando mais uma arma para ser usada contra você.

Antes de comparecer a delegacia, seu advogado deve comparecer e obter a cópia do inquérito, além de verificar se existe um mandado de prisão. Assim, além de diminuir os riscos, você ainda consegue entender exatamente se deve ou não falar o que sabe.

Denúncia anônima pode me condenar?

Uma denúncia anônima pode levar a polícia a verificar uma informação. No entanto, sozinha, não prova que você é responsável.

Para que se tenha ideia do risco de denúncias anônimas, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu que a entrada da polícia em uma residência sem mandado exige fundadas razões que indiquem a ocorrência de que um crime esteja acontecendo.

Logo, não basta apenas uma denúncia anônima. É necessário que a polícia faça diligências prévias para confirmar a veracidade da denúncia antes de ingressar no imóvel.

Por isso, sua defesa precisa sempre olhar para duas coisas: o que foi encontrado e como a prova foi obtida.

Fui preso em flagrante e saí em liberdade. O que acontece agora?

Ao ser solto na audiência de custódia, você deve cumprir as condições da liberdade provisória - normalmente, não sair da cidade, não entrar em contato com testemunhas ou com a vítima, entre outras.

Descumprir uma dessas condições pode gerar uma prisão preventiva, a qual não tem prazo, impedindo que você discuta o processo em liberdade.

Nesses casos, o normal é que a investigação continue e, se houver elementos que apontem que você realmente cometeu um crime, você passará a responder um processo criminal.

Composição civil, transação penal e ANPP: não aceite sem entender

Em alguns casos, mesmo sendo inocente, vale a pena considerar a celebração de acordos que impedem que você seja condenado e perca seu status de réu primário.

É uma decisão a ser tomada com seu advogado, analisando os elementos do inquérito. Se há o risco de condenação, mesmo que pequeno, é de se pensar a celebração de um acordo para evitar a dor de cabeça.

  • A composição civil dos danos trata da reparação do dano causado à vítima. Nas infrações penais de menor potencial ofensivo, julgadas pelo Juizado Especial Criminal (JECRIM), o acordo homologado pode por fim a situação.

  • A transação penal, prevista na Lei nº 9.099/1995 (Lei dos Juizados Especiais), pode envolver a aplicação imediata de multa ou medida não privativa de liberdade. Não equivale a uma condenação e também não gera reincidência. No entanto, a lei prevê situações em que a transação não é possível, como nos casos de violência doméstica da Lei Maria da Penha.

  • O acordo de não persecução penal (ANPP) é o mais comum e pode ser oferecido pelo Ministério Público em crimes cuja pena mínima não ultrapasse 4 (quatro) anos. O grande ponto do ANPP é a exigência da confissão, por meio do qual o acusado é obrigado a registrar que foi o responsável por aquele fato.

Para entender mais sobre o assunto, acesse nosso guia sobre o ANPP clicando aqui.

Posso processar quem me acusou?

A vontade de reagir é totalmente compreensível, mas uma investigação arquivada ou uma absolvição não prova que quem fez a acusação cometeu um crime.

A denunciação caluniosa exige que a pessoa provoque um procedimento contra alguém que sabe ser inocente, entre outros elementos previstos no artigo 339 do Código Penal.

Logo, não basta que uma denúncia tenha sido feita. É imprescindível que se comprove que a denúncia foi feita tão somente com o objetivo de prejudicar o acusado.

Um exemplo seria um print de WhatsApp da suposta vítima relatando que fez a denúncia apenas para "dar um susto" no ex-namorado.

Nesse caso, além de conseguir provar a inocência e buscar a absolvição, o réu poderia entrar com uma ação de indenização pelos danos morais causados.

O processo pode impactar meu trabalho ou minha reputação?

Precisamos separar as coisas entre a teoria e a prática.

Na teoria, uma acusação (seja um inquérito ou um processo criminal) não significam que você é culpado ou que é efetivamente responsável por um crime. É o que chamamos de presunção de inocência ("inocente até que se prove o contrário").

No entanto, na prática, um processo pode aparecer no Google com uma simples pesquisa do seu nome. Sites como o Jusbrasil e outros trazem informações sobre processos públicos, permitindo que uma pessoa verifique do que se trata aquela ação.

Já tive relatos de clientes no sentido de que estes processos, mesmo que tenham sido arquivados, estavam atrapalhando em entrevistas de emprego.

Portanto, além da defesa no processo, deve-se buscar também a remoção de conteúdos que possam te apontar como o autor de um crime que você não cometeu.

Conclusão: o que fazer agora?

Guarde intimações e documentos do processo/inquérito. Anote datas e horários. Preserve todos os documentos, mensagens e arquivos originais que você tenha ao seu alcance.

Não ignore intimações, não entre em contato com testemunhas e não procure quem fez a acusação para tentar retirar uma queixa.

Uma acusação pode dar início a uma investigação, mas não decide, sozinha, o resultado dela.

Perguntas frequentes (FAQ)

Fui acusado de um crime que não cometi. Posso ser condenado?

Ser acusado não significa estar condenado. O processo precisa apurar os fatos e as provas, com respeito à presunção de inocência e ao direito de defesa.

O que devo fazer primeiro se fui acusado injustamente?

Descubra qual procedimento existe e o que está sendo investigado. Guarde intimações, preserve documentos e arquivos relacionados aos fatos e não ignore comunicações oficiais.

Devo explicar tudo na delegacia se sou inocente?

Antes de prestar declarações, entenda em que condição você foi chamado e quais elementos já estão documentados. A Constituição garante o direito ao silêncio; a decisão de falar deve considerar o caso concreto.

Denúncia anônima pode, sozinha, provar que cometi um crime?

Não. Ela pode levar à apuração de uma informação, mas não prova, por si só, que alguém cometeu um crime. Para entrada forçada em domicílio sem mandado, o STF exige fundadas razões que indiquem flagrante delito.

Posso processar quem me acusou falsamente?

Não automaticamente. Arquivamento ou absolvição não comprovam, por si sós, denunciação caluniosa ou dever de indenizar. É preciso analisar o que foi imputado, o que a pessoa sabia e os danos envolvidos.

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