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Direito Criminal

CERESP Gameleira: o que é e quem fica preso lá?

5 min de leitura

O que é o CERESP Gameleira

O CERESP Gameleira (Centro de Remanejamento do Sistema Prisional), localizado no bairro Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte/MG, funciona como a principal porta de entrada e unidade de triagem para prisões provisórias (flagrante, preventiva e temporária) na capital.

O detido permanece na unidade temporariamente enquanto aguarda remanejamento para presídios da Região Metropolitana.

O fluxo, em regra, começa na delegacia: a pessoa presa em flagrante ou capturada por mandado é levada primeiro à delegacia de plantão. Após a audiência de custódia, conforme a decisão do juiz sobre a prisão, ela é encaminhada ao CERESP Gameleira, onde fica custodiada em caráter provisório.

Ou seja: quem está no CERESP Gameleira, como regra, ainda não foi condenado. É uma prisão provisória, decorrente de flagrante ou de mandado, e não de uma sentença.

👉 [Entenda aqui o passo a passo de uma prisão em flagrante em Belo Horizonte]

Para onde a pessoa vai depois de passar pelo CERESP?

Visão aérea do presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de BH, o qual recebe presos oriundos do CERESP Gameleira.

Concluída a etapa de triagem ou, como tem sido recentemente, quando surgir uma vaga, o preso é remanejado para uma unidade prisional da Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde permanecerá custodiado até que o processo seja julgado.

Entre os destinos mais comuns estão unidades como a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, o Presídio Antônio Dutra Ladeira e o Presídio Inspetor José Martinho Drumond, ambos em Ribeirão das Neves, além de outras unidades da rede estadual.

Um ponto importante para a família entender: o remanejamento não segue apenas o critério de onde o crime foi cometido. A decisão final sobre para qual unidade a pessoa é levada também depende da disponibilidade de vagas e de decisões administrativas da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública.

Por isso, mesmo que o fato tenha ocorrido em Betim, Ribeirão das Neves ou outro município da Região Metropolitana, é possível que a pessoa seja remanejada para o CERESP Gameleira ou para outra unidade fora da cidade de origem.

Para entender como funcionam as outras unidades de triagem da Grande BH, veja também nossos guias sobre o CERESP Betim e o CERESP Contagem.

O maior problema: a "triagem" não é rápida

Na teoria, o preso deveria passar pouco tempo no CERESP: só o suficiente para o sistema organizar sua transferência para outra unidade prisional. Na prática, isso não vem acontecendo.

O motivo é a superlotação, que afeta o sistema prisional de Minas Gerais como um todo e, de forma particularmente grave, o CERESP Gameleira.

Um levantamento da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, de março de 2026, apontou ocupação de 234% na unidade. Segundo relatos de agentes penitenciários e de especialistas em segurança pública ouvidos pela imprensa, um prédio projetado para cerca de 800 vagas chegou a abrigar perto de 1.900 presos.

O resultado prático dessa superlotação é que o centro de remanejamento, que deveria ser um local de passagem rápida, passa a funcionar como uma unidade prisional comum, só que sem oferecer trabalho, educação ou qualquer estrutura voltada à ressocialização, já que não foi projetado para isso.

Especialistas ouvidos por veículos de imprensa mineiros já apontaram publicamente que Belo Horizonte não conta com uma unidade prisional própria para receber quem está em cumprimento de pena, o que empurra ainda mais gente para dentro dos CERESP enquanto aguarda vaga em outro lugar.

Na prática, isso significa que o tempo de permanência na unidade pode se estender por semanas ou meses, mesmo a lei prevendo esse tipo de unidade como estrutura de passagem.

A fuga de julho de 2026

A superlotação do CERESP Gameleira voltou ao centro do noticiário em julho de 2026, quando sete detentos escaparam da unidade na madrugada do dia 27, após abrirem um buraco na parede de uma cela e atravessarem o muro pelos fundos do complexo. Quatro foram recapturados ainda no mesmo dia, nas proximidades da unidade. Os demais permaneciam foragidos dias depois, com buscas conduzidas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e apuração interna aberta para investigar as circunstâncias da fuga.

O episódio ilustra, na prática, o que especialistas já vinham apontando: uma estrutura pensada para giro rápido de presos, mas operando muito acima da capacidade, tende a apresentar falhas de segurança, e é a pessoa custodiada, junto de sua família, quem sente esse cenário de perto.

O que fazer se um familiar foi levado para o CERESP Gameleira?

Enquanto a pessoa está custodiada em caráter provisório, é essencial que a defesa acompanhe de perto o andamento do processo, inclusive para avaliar se há fundamento para pedir a revogação da prisão preventiva, a substituição da prisão por outra medida cautelar (como a tornozeleira eletrônica) e, em alguns casos, a impetração de um habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJMG - a famosa segunda instância), conforme o caso concreto.

Se você tem um familiar preso nessa situação, procure orientação jurídica o quanto antes.

Leia também nosso guia sobre a escolha de um advogado criminalista em BH.

Endereço e contato do CERESP Gameleira

📍Endereço: Rua Cândido de Souza, nº 520 - Bairro Gameleira, Belo Horizonte/MG — CEP 30510-070

📞Telefones: (31) 2129-9669 / (31) 2129-9666

📋Cadastro e renovação de visita (social, assistida ou íntima) são feitos diretamente pelo portal da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (SEJUSP-MG).

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